Por que não gosto da minha aparência? Me acho horrível nas fotos, até evito!

Quando a imagem que você tem de si é marcada predominantemente por defeitos, comparações e insuficiências, pode ser difícil reconhecer aquilo que existe de bom em você.

E talvez seja justamente por isso que algumas mulheres olham para uma fotografia e enxerguem imediatamente aquilo que não gostam. Outra pessoa pode olhar e perceber sua presença, sua expressão, sua beleza, sua personalidade... você, entretanto, encontra apenas o que gostaria de esconder.

Não necessariamente porque exista algo objetivamente errado com sua aparência. Mas porque o olhar que você dirige para si também carrega uma história.

Você pode se perguntar: "Como aprendi a me sentir assim comigo mesma?" Essa pergunta não serve para encontrar culpados. Serve para abrir espaço para a própria história.

E por que a opinião dos outros pode pesar tanto?

Imagine que você publique uma fotografia e receba vários comentários positivos. Você gosta da foto. Até que uma pessoa faz uma observação negativa. De repente, todos os outros comentários parecem perder importância.

Você volta para a fotografia. Procura o defeito. Amplia a imagem. Começa a pensar se aquela pessoa percebeu alguma coisa que você não havia percebido.

Isso pode acontecer também nos relacionamentos. Uma mensagem que demora para chegar pode despertar insegurança. Uma mudança no comportamento de alguém pode fazer você questionar seu próprio valor. Uma crítica pode permanecer na cabeça durante horas.

Nesses momentos, talvez a questão não seja simplesmente "ter autoestima baixa". Pode ser interessante investigar quanto do seu sentimento de valor depende do olhar do outro.

Então você questiona: "Mas eu sei que deveria ter mais confiança"

Saber racionalmente que você é capaz nem sempre produz a sensação de ser capaz. Você pode saber que é competente e ainda sentir medo de se posicionar. Pode saber que merece respeito e ainda ter dificuldade de estabelecer limites. Pode saber que não precisa agradar todo mundo e, mesmo assim, sentir culpa quando alguém se decepciona com você.

É por isso que frases como "acredite em você" podem ser verdadeiras, mas insuficientes. A questão talvez não seja descobrir intelectualmente que você tem valor. Talvez seja compreender por que, em determinados momentos, esse valor parece desaparecer aos seus próprios olhos.

E se você estiver tentando consertar uma imagem que não precisa ser consertada?

Vivemos cercados de imagens. Nas redes sociais, vemos corpos, rostos, estilos de vida, relacionamentos e versões cuidadosamente apresentadas de outras pessoas. É fácil transformar comparação em medida: "Ela é mais bonita." "Ela se veste melhor." "Ela parece mais segura." "Ela tem uma vida mais interessante."

Mas existe uma pergunta que pode interromper esse movimento: "O que exatamente estou desejando quando me comparo?"

Às vezes, não é apenas beleza. Pode ser pertencimento. Reconhecimento. Desejo. Segurança. A sensação de finalmente ser suficiente. E talvez seja por isso que nenhuma mudança externa consiga resolver completamente a questão. Você alcança aquilo que acreditava que precisava alcançar e, pouco tempo depois, surge outra coisa para corrigir.

Então, como começar a se sentir melhor consigo mesma?

Talvez não seja necessário começar tentando gostar de tudo em você. Comece observando.

Observe como você fala consigo mesma. Observe o que acontece quando alguém não aprova uma escolha sua. Observe quando você se compara. Observe quais situações fazem você se sentir inferior. Observe quais pessoas fazem você duvidar de si. Observe o que você exige de si que não exigiria de alguém que ama. E, principalmente, observe as histórias que conta sobre quem você é.

Porque algumas dessas histórias podem ter sido construídas há muito tempo. E aquilo que um dia foi aprendido não precisa permanecer intocável para sempre.

Na Psicanálise, não partimos da ideia de que existe uma fórmula para produzir autoestima. Existe um espaço para falar sobre aquilo que incomoda, se repete, causa sofrimento ou parece difícil de compreender.

Por que você sempre termina se sentindo insuficiente? Por que determinados relacionamentos despertam sentimentos tão conhecidos? Por que dizer "não" provoca tanta culpa? Por que uma crítica aparentemente pequena pode afetá-la durante tanto tempo? Por que você consegue reconhecer o valor de tantas pessoas, mas tem tanta dificuldade de reconhecer o próprio?

Essas perguntas não têm necessariamente respostas prontas. Em vez de simplesmente aprender a pensar diferente, você pode começar a compreender o que existe por trás da maneira como pensa, sente e se relaciona consigo mesma.

E assim construir uma relação menos cruel, menos dependente da comparação e mais próxima de quem você é. E talvez, aos poucos, você descubra que não precisava se tornar outra pessoa para começar a se sentir em casa dentro de si.

Vamos conversar?

Se esse texto fez sentido pra você, talvez seja o momento de olhar mais de perto para a sua própria história.

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