Por que me comparo tanto?
Você olha para outra mulher e, quase sem perceber, começa a pensar: ela é mais bonita. Mais segura. Mais elegante. Tem um relacionamento melhor. Uma carreira mais interessante. Parece mais feliz.
Talvez você nem formule esses pensamentos conscientemente. Às vezes, é apenas aquela sensação incômoda de estar atrasada em relação a algo.
Comparar-se faz parte da experiência humana. Observamos outras pessoas para compreender o mundo, reconhecer possibilidades e também perceber onde estamos. O problema começa quando o outro deixa de ser uma referência e passa a funcionar como medida do nosso próprio valor.
Você pode olhar para uma mulher bonita e pensar: "Ela é bonita, então eu sou menos." O mesmo pode acontecer diante do sucesso, do relacionamento, da aparência ou da segurança de alguém.
Você vê uma conquista e pensa que está atrasada. Vê uma mulher segura e se sente inadequada. Vê um relacionamento e questiona o seu. Vê uma aparência que admira e passa a enxergar apenas aquilo que gostaria de mudar em si.
A comparação deixa de ser sobre o outro. Ela passa a ser uma forma de julgamento sobre você.
Uma régua desigual
Existe ainda uma desigualdade nessa régua: você conhece seus medos, fracassos, dúvidas e bastidores, enquanto muitas vezes conhece do outro apenas aquilo que foi mostrado.
Nas redes sociais, isso se intensifica. Você vê fotografias escolhidas, conquistas anunciadas, viagens, corpos, relacionamentos e momentos felizes. Mas não conhece necessariamente a realidade que existe por trás daquela imagem.
Você compara, portanto, a sua experiência inteira com um recorte da experiência de outra pessoa. Não é uma comparação justa.
De onde vem esse olhar
Desde cedo, aprendemos sobre nós mesmas também através do olhar dos outros. Uma criança percebe quem recebe elogios, quem é criticado, quais características despertam aprovação e quais parecem causar rejeição.
Frases como "Olha como sua irmã faz.", "Por que você não consegue ser como ela?", "Ela é tão bonita.", "Você precisa se esforçar mais." não determinam, sozinhas, a maneira como alguém se perceberá no futuro. Mas experiências assim podem participar da construção de um olhar em que o próprio valor passa a ser constantemente colocado em relação ao outro.
O que a comparação está tentando dizer
Na Psicanálise, não vamos buscar eliminar a comparação, mas entender o que está por trás dela e entender o que acontece dentro de você.
Porque talvez você não esteja procurando apenas saber se é bonita. Talvez esteja procurando sentir-se desejável. Talvez não esteja tentando descobrir apenas se é bem-sucedida, mas se tem valor. Talvez aquela mulher que você admira represente algo que você deseja para si: liberdade, reconhecimento, segurança, pertencimento, amor...
"Ela é bonita" é uma percepção. "Ela é bonita, então eu sou menos" é uma interpretação. Essa diferença importa.
Também pode ser interessante observar aquilo que você admira nas outras mulheres. O que essa mulher representa para mim? Às vezes, a resposta revela menos sobre ela e mais sobre aquilo que você deseja, valoriza ou sente que ainda não encontrou em sua própria vida.
Você não precisa deixar de admirar para conseguir se reconhecer
A questão não é olhar para outra mulher e procurar defeitos para se sentir melhor. É poder reconhecer a beleza, a segurança ou o sucesso de alguém sem transformar isso em uma acusação contra si mesma.
Ela pode ter algo que você admira. E isso não significa que exista algo errado com você. Você tem outra história, outras características, outros desejos e outras possibilidades.
Talvez a saída da comparação não esteja em descobrir que você é melhor do que alguém. Mas saber olhar para si com gentileza e aceitação e reconhecer o seu valor.